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02/01/11

O que os pobres precisam

... não é de quem lhes diga como se devem vergar perante um destino inevitável, continuando eterna e desgraçadamente a ter uma vida indigna, enquanto outros lucram cada vez mais e desenvergonhadamente com a sua miséria.

Sejam eles novos-pobres ou pobres crónicos, do que precisam com mais urgência é de quem lhes ensine os seus direitos, quem lhes diga onde, como e porquê estão a ser roubados, de quem, no fundo, os ensine a revoltar. António Galrinho

11/12/10

Wikileaks na experiência dum português

O site dns.pt foi deitado abaixo... Tal como prometido o Tugaleaks é o sucessor do antigo Wikileaks Mirror. Rui Cruz:
"Estou demasiado arrasado com esta situação. Falei parta duas “entidades” e tenho mais de 10 a falarem de mim, a citarem-me, inclusive a inventarem coisas. Eu fiz isto pela liberdade de circulação de informação na Internet. O fecho por ataques do Wikileaks.org foi um infortúnio e ajudei a espalhar a palavra. Sou Português e publico a informação no meu site. Sabe-se lá como, passado um dia, todos acham que “eu” dei força ao site, que “eu” fiz tudo, e que todos querem uma entrevista comigo. Poupem-me. Querem-me fazer perguntas? Provavelmente toda a gente que falou de mim já as sabe, ou já as inventou. Seguem os links onde falaram de mim, have fun. E já agora, respeitem a minha opinião de não querer falar mais sobre o assunto com os media. Ao contrário do que alguns pensam, não fiz isto para mim como pessoa, mas sim para a Internet.
Agora eu pergunto, será que não chega dos media aproveitarem-se da situação, fazerem citações de fontes que nem mencionam, deturpar o sentido de frases e incomodar-me 16 vezes para o telemóvel no dia de hoje? Eu acho que sim. Volto a dizer, eu não fiz isto por mim, fiz pela divulgação da situação em si. Rui"

03/12/10

Perseguição política

Foragido, fundador do WikiLeaks teria como trunfo 'revelação-bomba'.

O australiano Assange pôs no site um arquivo criptografado que reuniria os segredos mais importantes que recebeu; de acordo com especulações, os documentos serão divulgados caso alguma coisa aconteça com ele. Ler mais...


Wikileaks na mira das superpotências

O site Wikileaks tem sofrido ataques diversos nos últimos dias e criou uma rede complexa e distribuída por vários países. Governos dos Estados Unidos e da França tomam iniciativas para encerrá-lo. O fundador do site, Julian Assange, reconheceu a existência de ameaças contra a sua vida. Várias revelações continuam a vir a lume e a embaraçar governos de todo o mundo.

02/12/10

Um mundo sem segredos é um mundo melhor

Wikileaks prepara novo ataque

Depois da diplomacia a banca. A Wikileaks prepara-se para publicar documentos que comprometem o sector financeiro.

Um verdadeiro exemplo no limite às reformas

Reformas na Suíça com tecto máximo de 1700 euros

Na Suíça, ao contrário de Portugal, não há reformas de luxo. Para evitar a ruína da Segurança Social, o governo helvético fixou que o máximo que um suíço pode receber de reforma são 1700 euros. E assim, sobra dinheiro para distribuir pelas pensões mais baixas.

18/11/10

Encontrar emprego em PORTUGAL...

O ZÉ, depois de dormir numa almofada de algodão (Made in Egypt), começou o dia bem cedo, acordado pelo despertador (Made in Japan) às 7 da manhã.

Depois de um banho com sabonete (Made in France) e enquanto o café (importado da Colômbia) estava a fazer na máquina (Made in Chech Republic), barbeou-se com a máquina eléctrica (Made in China). Vestiu uma camisa (Made in Sri Lanka), jeans de marca (Made in Singapore) e um relógio de bolso (Made in Switzerland).

Depois de preparar as torradas de trigo (produced in USA) na sua torradeira (Made in Germany) e enquanto tomava o café numa chávena (Made in Spain), pegou na máquina de calcular (Made in Korea) para ver quanto é que poderia gastar nesse dia e consultou a Internet no seu computador (Made in Thailand) para ver as previsões meteorológicas.

Depois de ouvir as notícias pela rádio (Made in India), ainda bebeu um sumo de laranja (produced in Israel), entrou no carro Saab (Made in Sweden) e continuou à procura de emprego.

Ao fim de mais um dia frustrante, com muitos contactos feitos através do seu telemóvel (Made in Finland) e, após comer uma pizza (Made in Italy), o Zé decidiu relaxar por uns instantes. Calçou as suas sandálias (Made in Brazil), sentou-se num sofá (Made in Denmark), serviu-se de um copo de vinho (produced in Chile), ligou a TV (Made in Indonesia) e pôs-se a pensar porque é que não conseguia encontrar um emprego em PORTUGAL...

18/10/10

Ataque aos funcionários públicos

Fusões e extinções de organismos do Estado vão atingir mais de 57 mil funcionários públicos


De acordo com o Jornal de Negócios, através das fusões, o Governo quer poupar 100 milhões de euros com mudanças em 50 organismos. A medida prevê redução do número de cargos dirigentes, tanto a nível superior, como a nível intermédio. O ministro das Finanças não fala em despedimentos. Sublinha apenas a necessidade de utilizar os mecanismos de mobilidade da função pública.


O anúncio do corte nos salários dos funcionários públicos está a gerar uma onda de descontentamento. Médicos, enfermeiros e professores, por exemplo, fazem contas concluíram já que em alguns casos não compensa fazer horas extraordinárias ou trabalhar em feriados.

As Manifestações em França

A tomada de posição de conjunto dos trabalhadores, na força da acção de rua, é hoje a única hipótese que os povos têm para rasgar a teia de influência e de corrupção da democracia que envolve os governos!

clique na imagem para aceder à informação!

17/10/10

Pobreza em Portugal

clique na imagem para aceder à revista em formato digital!

Na sua edição desta semana, a SÁBADO mostrou cinco casos dramáticos. Em virtude da quantidade de leitores dispostos a ajudar as famílias mencionadas no artigo sobre a pobreza infantil, a SÁBADO decidiu coordenar-se com as instituições e as assistentes sociais que dão apoio directo a estas crianças, de modo que o apoio lhes chegue directamente. Quem quiser auxiliar alguma destas crianças e famílias pode fazê-lo através destes contactos, em que as pessoas já estão de sobreaviso e, ao mesmo tempo, dar conhecimento à SÁBADO através do seguinte mail: vmatos@sabado.cofina.pt

Elisabete, 11 anos

“Às vezes a minha mãe só me dá meio copo de leite”

Mora com os avós, as duas tias, os dois tios, a mãe e a irmã. Os pais estão separados, a mãe ganha 298 euros por mês, mais alguns euros por trabalhos esporádicos como empregada doméstica Gostava de ter uma Nintendo em segunda mão. Contacto: AMI – Porta Amiga – 218362100. Falar com Fátima Oliveira fátima.oliveira@ami.org.pt


Ricardo, 13 anos

“Quando vou a casa da minha madrinha tomo banho”

Mora com a mãe e três irmãos. A sua família é desestruturada e dorme na sala com o irmão. A mãe é desempregada e separada, recebe o Rendimento Social de Inserção e tem quatro filhos a seu cargo. Gostava de ter umas chuteiras. Disponibilizaremos o contacto logo que possível.

Vítor, 8 anos

“Jantamos muitas vezes arroz com molho”

A mãe ganha 450 euros por mês e o pai está desempregado. Os dois irmãos mais velhos são responsáveis por ir levar e buscar a irmã de 2 anos ao infantário. Recebem apoio do Banco Alimentar. Gostava de ter uma bola. Contacto: 918786926 Maria Gaivão, directora do ATL da Galiza. atl.galiza@scmc.pt


Ana, 10 anos

“Não sei bem explicar o que se passa na minha vida”

Mora com a mãe e o meio-irmão mais velho. A mãe recebe € 125 de pensão de viuvez, pois o marido morreu com cancro em 2005. A mãe entretanto foi despedida do seu emprego num restaurante, mas não tem direito a subsídio de desemprego. Paga € 325 de renda. Gostava de ter um bilhete para entrar na Kidzania. Contacto: Fundação CEBI – 219589130. Assistente social: drª Vera Teixeira gis@fcebi.org

Tiago, 9 anos

“Os meus pais dormem nuns cobertores no chão”

Mora com os avós, dois tios, o pai, a mãe e os dois irmãos. A mãe não trabalha e antes de ser operado a um tumor cerebral, o seu pai ganhava 2500 euros mensais como camionista, mas a doença obrigou-o a deixar a profissão. Arranjou outro emprego, mas só ganha 500 euros e muitas vezes está de baixa. Gostava de ter uma colecção de cromos. Contacto: 214605239 assistente social: Dra. Carla Fernandes ou Juvenilson rsi.alcabideche@gmail.com

04/10/10

A riqueza criada pelos trabalhadores

Eugénio Rosa

Apesar da crise, a parte da riqueza criada pelos trabalhadores em Portugal que não reverte para o trabalho continua a ser muito elevada (em 2009, a taxa de mais-valia calculada com base no salário directo atingia 103%, e com base na soma do salário directo com o indirecto era de 58%). Ler mais...

01/10/10

um bom negócio para a PT

Eugénio Rosa,

A PT, para distribuir todos anos elevados dividendos aos seus accionistas, não tem provisionado o Fundo de Pensões dos trabalhadores nas importância necessárias. No fim de 2009, as responsabilidades do Fundo de Pensões eram superiores a 2.265 milhões € (actualmente já devem rondar os 2.400 milhões €), e o valor dos activos do Fundo, que servem para pagar as pensões, era apenas de 1617 milhões €, ou seja, estavam em falta 648 milhões €. O valor do fundo nem dava para pagar as pensões dos trabalhadores já reformados, e muito menos para pagar as pensões correspondentes ao tempo de serviço prestado pelos trabalhadores no activo.
Mesmo aquele valor do Fundo em 1617 milhões € era pouco seguro pois mais de 40% estava investido em acções, portanto um activo de elevado risco, e ainda maior, agora, numa altura de grande instabilidade nos
mercados financeiros. Apesar desta situação ser conhecida pela entidade reguladora, que é o Instituto de Seguros de Portugal, ela nunca fez nada para obrigar a PT a corrigir rapidamente a situação, o que prova que também neste sector a entidade reguladora está refém dos grandes grupos económicos.
E agora aparece o governo de Sócrates com a estranha decisão de pretender integrar o Fundo de Pensões da PT na Segurança Social, numa das suas habituais manobras de engenharia financeira para, assim, reduzir
artificialmente a dívida Pública (recebe agora, e paga pensões no futuro quando já Sócrates não estiver no governo, embora não se saiba o certo o que se pagará).
É certamente um bom negócio para a PT que assim se livrará das pesadas responsabilidades actuais e futuras do seu Fundo de Pensões, que são muito grandes, transferindo-as para o Estado, ou melhor, para a Segurança Social, mas é um negócio que poderá por em perigo asustentabilidade financeira da própria Segurança Social, e as reformas de milhões de trabalhadores portugueses. Ler mais...

29/09/10

Parlamento islandês processa primeiro-ministro que governava quando país faliu

O Parlamento islandês decidiu processar o ex-primeiro-ministro Geir Haarde, que governava o país na altura em que o sistema financeiro se afundou, em Outubro de 2008, por “negligência”. Ler mais... 

05/09/10

esta vida são dois dias, a festa são três!



O MEC FOI À FESTA DO AVANTE!

*Artigo de Miguel Esteves Cardoso*.

“Dizem-se muitas mentiras acerca da Festa do Avante! Estas são as maispo pulares: que é irrelevante; que é um anacronismo; que é decadente; que é um grande negócio disfarçado de festa; que já perdeu o conteúdo político; que hoje é só comes e bebes.

Já é a Segunda vez que lá vou e posso garantir que não é nada dessas coisas e que não só é escusado como perigoso fingir que é. Porque a verdade verdadinha é que a Festa do Avante faz um bocadinho de medo.

O que se segue não é tanto uma crónica sobre essa festa como a reportagem de um preconceito acerca dela - um preconceito gigantesco que envolve a grande maioria dos portugueses. Ou pelo menos a mim.

Porque é que a Festa do Avante faz medo?

É muita gente; muita alegria; muita convicção; muito propósito comum.

Pode não ser de bom-tom dizê-lo, mas o choque inicial é sempre o mesmo: chiça!, Afinal os comunistas são mais que as mães. E bem dispostos. Porquê tão bem dispostos? O que é que eles sabem que eu ainda não sei?

É sempre desconfortável estar rodeado por pessoas com ideias contrárias às nossas. Mas quando a multidão é gigante e a ideia é contrária é só uma só – então, muito francamente, é aterrador.

Até por uma questão de respeito, o Partido Comunista Português merece que se tenha medo dele. Tratá-lo como uma relíquia engraçada do século XX é uma desconsideração e um perigo. Mal por mal, mais vale acreditar que comem criancinhas ao pequeno-almoço.

BEM SEI QUE A condescendência é uma arma e que fica bem elogiar os comunistas como fiéis aos princípios e tocantemente inamovíveis, coitadinhos.

É esta a maneira mais fácil de fingir que não existem e de esperar, com toda a estupidez, que, se os ignoramos, acabarão por se ir embora.

As festas do Avante, por muito que custe aos anticomunistas reconhecê-lo, são magníficas.

É espantoso ver o que se alcança com um bocadinho de colaboração. Não só no sentido verdadeiro, de trabalhar com os outros, como no nobre, que é trabalhar de graça.

A condescendência leva-nos a alvitrar que “assim também eu” e que as festas dos outros partidos também seriam boas caso estivessem um ano inteiro a prepará-las. Está bem, está: nem assim iam lá. Porque não basta trabalhar: também é preciso querer mudar o mundo. E querer só por si, não chega. É preciso ter a certeza que se vai mudá-lo.

Em vez de usar, para explicar tudo, o velho chavão da “ capacidade de organização” do velho PCP, temos é que perguntar porque é que se dão ao trabalho de se organizarem.

Porque os comunistas não se limitam a acreditar que a história lhes dará razão: acreditam que são a razão da própria história. É por isso que não podem parar; que aguentam todas as derrotas e todos os revezes; que são dotados de uma avassaladora e paradoxalmente energética paciência; porque acreditam que são a última barreira entre a civilização e a selvajaria. E talvez sejam. Basta completar a frase "Se não fossem os comunistas, hoje não haveria..." e compreende-se que, para eles, são muitas as conquistas meramente "burguesas " que lhe devemos, como o direito à greve e à liberdade de expressão.

É por isso que não se sentem “derrotados”. O desaparecimento da URSS, por exemplo, pode ter sido chato mas, na amplitude do panorama marxista-leninista, foi apenas um contratempo. Mas não é só por isso que a Festa do Avante faz medo. Também porque é convincente. Os comunas não só sabem divertir-se como são mestres, como nunca vi, do à-vontade. Todos fazem o que lhes apetece, sem complexos nem receios de qualquer espécie. Até o show off é mínimo e saudável.

Toda a gente se trata da mesma maneira, sem falsas distâncias nem proximidades. Ninguém procura controlar, convencer ou impressionar ninguém. As palavras são ditas conforme saem e as discussões são espontâneas e animadas. É muito refrescante esta honestidade. É bom (mas raro) uma pessoa sentir-se à vontade em público. Na Festa do Avante é automático.

Dava-nos jeito que se vestissem todos da mesma maneira e dissessem e fizessem as mesmas coisas - paciência. Dava-nos jeito que estivessem eufóricos; tragicamente iluminados pela inevitabilidade do comunismo - mas não estão. Estão é fartos do capitalismo - e um bocadinho zangados.

Não há psicologias de multidões para ninguém: são mais que muitos, mas cada um está na sua. Isto é muito importante. Ninguém ali está a ser levado ou foi trazido ou está só por estar. Nada é forçado. Não há chamarizes nem compulsões. Vale tudo até o aborrecimento. Ou seja: é o contrário do que se pensa quando se pensa num comício ou numa festa obrigatória. Muito menos comunista.

Sabe bem passear no meio de tanta rebeldia. Sabe bem ficar confuso.

*Todos os portugueses haviam de ir de cinco em cinco anos a uma Festa do Avante, só para enxotar estereótipos e baralhar ideias.*

Convinha-nos pensar que as comunas eram um rebanho mas a parecença é mais com um jardim zoológico inteiro. Ali uma zebra; em frente um leão e um flamingo; aqui ao lado uma manada de guardas a dormir na relva.

QUANDO SE CHEGA à Festa o que mais impressiona é a falta de paranóia.

Ninguém está ansioso, a começar pelos seguranças que nos deixam passar só com um sorriso, sem nos vasculhar as malas ou apalpar as ancas. Em matéria de livre de trânsito, é como voltar aos anos 60.

Só essa ausência de suspeita vale o preço do bilhete. Nos tempos que correm, vale ouro. Há milhares de pessoas a entrar e a sair mas não há bichas. A circulação é perfeitamente sanguínea. É muito bom quando não desconfiamos de nós.

Mesmo assim tenho de confessar, como reaccionário que sou, que me passou pela cabeça que a razão de tanta preocupação talvez fosse a probabilidade de todos os potenciais bombistas já estarem lá dentro, nos pavilhões internacionais, a beber copos uns com os outros e a divertirem-se.

A Festa do Avante é sempre maior do que se pensa. Está muito bem arrumada ao ponto de permitir deambulações e descobertas alegres. Ao admirar a grandiosidade das avenidas e dos quarteirões de restaurantes, representando o país inteiro e os PALOP, é difícil não pensar numa versão democrática da
Exposição do Mundo Português, expurgada de pompa e de artifício. E de salazarismo, claro.

Assim se chega a outro preconceito conveniente. Dava-nos jeito que a festa do PCP fosse partidária, sectária e ideologicamente estrangeirada. Na verdade, não podia ser mais portuguesa e saudavelmente nacionalista.

O desaparecimento da União Soviética foi, deste ponto de vista, particularmente infeliz por ter eliminado a potência cujas ordens eram cegamente obedecidas pelo PCP.

Sem a orientação e o financiamento de Moscovo, o PCP deveria ter também fenecido e finado. Mas não: ei-lo. Grande chatice.

Quer se queira quer não (eu não queria), sente-se na Festa do Avante! Que está ali uma reserva ecológica de Portugal. Se por acaso falharem os modelos vigentes, poderemos ir buscar as sementes e os enxertos para começar tudo o que é Portugal outra vez.

A teimosia comunista é culturalmente valiosa porque é a nossa própria cultura que é teimosa. A diferença às modas e às tendências dos comunistas não é uma atitude: é um dos resultados daquela persistência dos nossos hábitos. Não é uma defesa ideológica: é uma prática que reforça e eterniza só por ser praticada. (Fiquemos por aqui que já estou a escrever à comunista).

A Exposição do Mundo português era “para inglês ver”, mas a Festa do Avante! Em muitos aspectos importantes, parece mesmo inglesa. Para mais, inglesa no sentido irreal. As bichas, direitinhas e céleres, não podiam ser menos portuguesas. Nem tão-pouco a maneira como cada pessoa limpa a mesa antes de se levantar, deixando-a impecável.

As brigadas de limpeza por sua vez, estão sempre a passar, recolhendo e substituindo os sacos do lixo. Para uma festa daquele tamanho, com tanta gente a divertir-se, a sujidade é quase nenhuma. É maravilhoso ver o
resultado de tanto civismo individual e de tanta competência administrativa. *Raios os partam.*

Se a Festa do Avante dá uma pequena ideia de como seria Portugal se mandassem os comunistas, confessemos que não seria nada mau. A coisa está tão bem organizada que não se vê. Passa-se o mesmo com os seguranças - atentos mas invisíveis e deslizantes, sem interromper nem intimidar uma mosca.

O preconceito anticomunista dá-os como disciplinados e regimentados – se calhar, estamos a confundi-los com a Mocidade portuguesa. Não são nada disso. A Festa funciona para que eles não tenham de funcionar. Ao contrário de tantos festivais apolíticos, não há pressa; a ansiedade da diversão; o cumprimento de rotinas obrigatórias; a preocupação com a aparência. Há até, sem se sentir ameaçado por tudo o que se passa à volta, um saudável tédio, de piquenique depois de uma barrigada, à espera da ocupação do sono.

Quando se fala na capacidade de “mobilização” do PCP pretende-se criar a impressão de que os militantes são autómatos que acorrem a cada toque de sineta. Como falsa noção, é até das mais tranquilizadoras.

Para os partidos menos mobilizadores, diante do fiasco das suas festas, consola pensar que os comunistas foram submetidos a uma lavagem ao cérebro.

Nem vale a pena indagar acerca da marca do champô.

Enquanto os outros partidos puxam dos bolsos para oferecer concertos de borla, a que assistem apenas familiares e transeuntes, a Festa do Avante enche-se de entusiásticos pagadores de bilhetes.

E porquê? Porque é a festa de todos eles. Eles não só querem lá estar como gostam de lá estar. Não há a distinção entre “nós” dirigentes e “eles” militantes, que impera nos outros partidos. Há um tu-cá-tu-lá quase de festa de finalistas.

É UM ALÍVIO A FALTA de entusiasmo fabricado – e, num sentido geral de esforço. Não há consensos propostos ou unanimidades às quais aderir.

Uns queixam-se de que já não é o que era e que dantes era melhor; outros que nunca foi tão bom.

É claro que nada disto será novidade para quem lá vai. Parece óbvio.

Mas para quem gosta de dar uma sacudidela aos preconceitos anticomunista é um exercício de higiene mental.

Por muito que custe dize-lo, o preconceito - base, dos mais ligeiros snobismos e sectarismos ao mais feroz racismo, anda sempre à volta da noção de que “eles não são como nós”. É muito conveniente esta separação. Mas é tão ténue que basta uma pequena aproximação para perceber, de repente, que “afinal eles são como nós”

Uma vez passada a tristeza pelo desaparecimento da justificação da nossa superioridade (e a vergonha por ter sido tão simples), sente-se de novo respeito pela cabeça de cada um.

Espero que não se ofendam os sportinguistas e comunistas quando eu disser que estar na Festa do Avante! Foi como assistir à festa de rua quando o Sporting ganhou o campeonato. Até aí eu tinha a ideia, como sábio benfiquista, que os sportinguistas eram uma minúscula agremiação de queques em que um dos requisitos fundamentais era não gostar muito de futebol.

Quando vi as multidões de sportinguistas a festejar – de todas as classes, cores e qualidades de camisolas -, fiquei tão espantado que ainda levei uns minutos a ficar profundamente deprimido.

POR OUTRO LADO, quando se vê que os comunistas não fazem o favor de corresponder à conveniência instantaneamente arrumável das nossas expectativas – nem o PCP é o IKEA - a primeira reacção é de canseira.

Como quem diz:”Que chatice – não só não são iguais ao que eu pensava como são todos diferentes. Vou ter de avaliá-los um a um. Estou tramado. Nunca mais saio daqui.”

Nem tão pouco há a consolação ilusória do pick and choose.

É uma sólida tradição dizer que temos de aprender com os comunistas... Infelizmente é impossível. *Ser-se comunista é uma coisa inteira e não se pode estar a partir aos bocados.* A força dos comunistas não é o sonho nem a saudade: é o dia-a dia; é o trabalho; é o ir fazendo; e resistindo, nas festas como nas lutas.

Hás uma frase do Jerónimo de Sousa no comício de encerramento que diz tudo. A propósito de Cuba (que não está a atravessar um período particularmente feliz), diz que “resistir já é vencer”.

É verdade – sobretudo se dermos a devida importância ao “já”. Aquele “já” é o contrário da pressa, mas é também “agora”.

Na Festa do Avante! Não se vêem comunistas desiludidos ou frustrados.

Nem tão pouco delirantemente esperançosos. A verdade é que se sente a consciência de que as coisas, por muito más que estejam, poderiam estar piores. Se não fossem os comunistas: eles.

Há um contentamento que é próprio dos resistentes. Dos que existem apesar de a maioria os considerar ultrapassados, anacrónicos, extintos. Há um prazer na teimosia; em ser como se é. Para mais, a embirração dos comunistas, comparada com as dos outros partidos, é clássica e imbatível: a pobreza. De Portugal e de metade do mundo, num Portugal e num mundo onde uns poucos têm muito mais do que alguma vez poderiam precisar.

NA FESTA DO AVANTE! Sente-se a satisfação de chatear. O PCP chateia.

Os sindicatos chateiam. A dimensão e o êxito da Festa chateiam. Põem em causa as desculpas correntes da apatia. Do ensimesmamento online, do relativismo ou niilismo ideológico. Chatear é uma forma especialmente eficaz de resistir. Pode ser miudinho – mas, sendo constante, faz a diferença.

Resistir é já vencer. A Festa do Avante é uma vitória anualmente renovada e ampliada dessa resistência. ... Verdade se diga, já não é sem dificuldade que resisto. Quando se despe um preconceito, o que é que se veste em vez dele? Resta-me apenas a independência de espírito para exprimir a única reacção inteligente a mais uma Festa do Avante:dar os parabéns a quem a fez e mais outros a quem lá esteve. Isto é, no caso pouco provável de não serem as mesmíssimas pessoas.

Parabéns! E, para mais, pouquíssimo contrariado.”(E só com um bocadinho de nada com medo).

18/07/10

Projecto de saúde na China

Pequim começa a colocar em prática um plano bilionário para melhorar o seu sistema de saúde e IBM destinará 100 milhões para projecto de saúde na China apoiada na reforma de saúde de 124 mil milhões de dólares que o país começou a implementar para criar um sistema nacional que englobe áreas urbanas e rurais.

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